Minhas Mães e Meu Pai ***

novembro 30, 2010

Pai é quem cria

Sinopse: Dois irmão, filhos biológicos de um casal lésbico, decidem procurar pelo homem que doou sêmen para suas mães. O encontro repentino com o “pai” acaba afetando a rotina familiar.

Novo, e mais aclamado, filme da diretora Lisa Cholodenko, bastante conhecida no circuito independente, e cujo único filme lançado comercialmente no Brasil, antes deste aqui, havia sido o irregular Laurel Canyon – Rua das Tentações, com Christian Bale e Frances McDormand. Este The Kids All Are Right (“As Crianças Estão Bem”, em tradução livre) marca por tentar (e, de certa forma, conseguir) lidar de forma leve e espontânea com a sexualidade humana. Afinal, não é todo dia que nós assistimos a duas atrizes milionárias de Hollywood juntas na cama, vendo um filme pornô gay masculino, num filme que não ofende ninguém, nem a vovó, nem a titia.

Uma pena que o roteiro (assinado por Cholodenko e Stuart Blumberg) seja bastante esquemático e óbvio, reservando poucas surpresas para o espectador mais atento. Por outro lado, há toda um encaminhamento sutil, que apela para o lado mais conservador da plateia, a quem é reservado depois uma surpresa pouco amigável no final – desculpem o estilo subjetivo demais, mas não quero estragar o final do filme para ninguém.

O elenco todo está ótimo, e quem achou Mia Wasikowska apática em Alice no País das Maravilhas, vai ficar surpreso – ela está maravilhosa no filme, numa atuação sutil e delicada, exatamente o que faltou no filme de Tim Burton. Ela e Mark Ruffalo dividem a cena mais bonita do filme, perto do final – pena que o momento é interrompido, e o personagem de Ruffalo seja colocado de lado para que a diretora, digamos assim, defenda a sua tese.

OBS: Minhas Mães e Meu Pai está cotadíssimo na corrida do próximo Oscar, e também é, até o momento, o favorito a dominar o Globo de Ouro 2011 nas categorias de comédia – perceba que as indicações de ambos os prêmios ainda não saíram, mas a mídia e a crítica especializada já colocaram o filme neste pedestal. Um exagero, é uma produção razoável, mas nada excepcional. Por outro lado, lembrem-se que o vencedor do Globo de Ouro de melhor filme de Comédia este ano foi o patético Se Beber, Não Case, então estamos no lucro.

O MELHOR: O elenco afinadíssimo

O PIOR: O esquematismo do roteiro, e o destino dado ao personagem de Ruffalo

The Kids Are All Right, de Lisa Cholodenko (2010).

Atualmente em exibição nos cinemas pela Swen Filmes

Em breve disponível em Dvd&Blu-Ray pela Imagem Filmes.

Diário de um Banana ***

agosto 22, 2010

Criancinhas

Grata surpresa esta comédia que não aliena nem subestima seu público alvo, e é tão ou mais prazerosa para os grandinhos. Munido daquela velha obsessão americana sobre popularidade na escola, o filme mostra a trajetória de Greg, um guri que entra para o que seria equivalente ao ginásio brasileiro, achando que vai ser o maioral – mas tudo o que consegue é ser humilhado, ignorado e ainda por cima perder a amizade do melhor amigo, um gordinho que de piada da escola passa a ser o mais popular.

Contando em ótimo ritmo e com aquele tipo de elenco infantil inacreditável de tão bom, cortesia do cinema norte americano, Diário de uma Banana é esperto e cheio de coração. Tem uma certa malícia e um olhar de cima ao mostrar o mundo dos moleques, mas nunca perde o tom leve e a esperteza. O melhor é a interação de Greg com os colegas, pais e os irmãos, o que deixa o roteiro cheio de momentos inspirados. Baseado numa série de livros de grande sucesso (já lançada no Brasil), vai ganhar continuação já no ano que vem, afinal os atores crescem rápido.

No Brasil, a Fox marca bobeira e vai esperar até dezembro pra lançar o filme nos cinemas.

Diary of a Wimpy Kid, de Thor Freundethal (2010)

Predadores **

agosto 13, 2010

Festa na Floresta

Sinopse: Grupelho formado por párias- de várias nacionalidades e que não se conhecem -cai de paraquedas (literalmente) em floresta inóspita, para logo descobrir que alguém ou alguma coisa preparou uma cilada – eles são a caça.

Produzido no quintal de Robert Rodriguez, o Troublemaker Studios, uma forma encontrada pelo cineasta de realizar suas obras sem a interferência excessiva dos grandes estúdios, Predadores é uma continuação (e não um remake, ou reinvenção) da série O Predador, que começou em 1987, com Schwarzenegger no elenco.

O curioso que tanto cuidado resulta em mais do mesmo. É um filme tão divertido quanto bobo, e se os cenários e a direção de arte são devidamente classe B e interessantes, o filme não tem clima nem clímax.A ideia estava na gaveta de Rodriguez desde 1995,e  o filme prova duas coisas: o mexicano tá com tudo, e o cinema de fantasia está com nada.

Os mesmos vícios dos outros títulos da Troublemaker estão aqui: efeitos eficientes mas nada marcantes, uma fotografia digital capenga e um humor inadequado que tira parte do charme do filme.

O filme é tão imbuído nessa missão de ser B e nostálgico, que até se permite ao luxo de ter uma cena de luta samurai entre o japa do elenco e um Predador. Adorei.

De bom para os brasileiros, a presença de Alice Braga, já em sua terceira grande produção de ficção científica como figura feminina central – Alice fez recentemente Eu Sou a Lenda e Repo Men. Ela está conseguindo ficar marcada pelo papel de durona – sensível, mas pelo menos é um novo estereótipo, ao invés da latina sedutora. Veremos.

O Adrien Brody se sai bem. Curioso que depois do Oscar que ele ganhou em 2003 por O Pianista, ele só faz filme B. Um herói improvável, mas convicente. Tem gancho óbvio pra continuação, então esperamos algo com mais substância e inspiração na próxima.

Predators, de Nimród Antal (2010).

Atualmente em exibição nos cinemas pela Fox

Em breve disponível em Dvd&Blu-Ray pela Fox Brasil.

Do Começo ao Fim **

agosto 13, 2010

Incesto fashion

Sinopse: Dois irmãos desenvolvem uma relação amorosa e sexual, desde crianças, com a conivência de seus pais.

Um dos filmes mais comentados na blogosfera no ano passado, mas, suspeito, totalmente obscuro frente ao grande público, Do Começo ao Fim é um drama com grande potencial, mas que morre muito antes de alcançar a praia.

Chegado a uma polêmica sexual (já havia feito antes o fraco Um Copo de Cólera, adaptação do livro de Raduam Nassar, e o desastroso As Três Marias*), Aloisio Abranches parece investir aqui numa fantasia. É um filme aparentemente muito pessoal, e, talvez por causa disso, muito limitado.

Os dois irmãos sarados e com cara de modelos vivem no Planeta Tok&Stok, habitando e circulando por ambientes chics, locações como Rio de Janeiro e Buenos Aires, onde todos os computadores e acessórios são da Apple, e todo mundo é rico, bonito e feliz. Profissões: médico, atleta, arquiteto.

Nesta utopia brasileira (nada contra), o fato de dois jovens irmãos se relacionarem nunca é questionado, e é no máximo um fator de preocupação para os pais. A reação de amigos, instituições e outros nunca é mostrada, até porque estes elementos nem existem no roteiro. Eles também não parecem ter nenhum problema em dormir um com o outro, então nenhum psicólogo ficou rico às custas desta família

Pra não dizer que faltou pathos, o terço final do filme mostra como é dura a separação dos dois, mas nada que uma passagem de avião na primeira classe não resolva. Uma pena que o filme tenha um roteiro tão nulo, pouco ambicioso, já que é uma evidente superação dos afetados trabalhos anteriores de Abranches, e tem uma ótima produção técnica.

Psiu: a (ótima) direção de fotografia de Do Começo ao Fim é assinada por Ueli Steiger, colaborador de longa data do cineasta Roland Emmerich, para quem fotografou os blockbusters Independece Day, O Patriota e O Dia Depois de Amanhã.

* Não consegui ver mais de 10 minutos desse filme, então possa ser que eu esteja sendo injusto né…

Do Começo ao Fim, de Aluisio Abranches (2009).

Disponível em Dvd pela Europa Filmes.

A Orfã **

julho 3, 2010

A Pequena Russa

Sinopse: Pianista alcoólatra, ainda abalada depois de um aborto durante a sua terceira gravidez, decide adotar uma garotinha russa precoce e excêntrica, Esther. Mas logo eventos sinistros comçam a ameaçar a família inteira, já que Esther esconde um segredo terrível.

Subgênero dos mais divertidos, o filme de criacinha psicopata ganha aqui um exemplar classe A (em relação ao elenco e valores de produção), mas B até o dedinho do pé. Curiosamente, os roteiristas deste Orphan comportam-se como se A Tara Maldta (The Bad Seed, 1956) e O Anjo Malvado (The Good Son, 1993), dois bons filmes, não existissem. Nem a absurda (e interessantíssima, sejamos justos) revelação final sopra um ar realmente fresco ao gênero, que não passa de um remake misto dos filmes estrelados por Patty McCormack e Macaulay Culkin.

Produzido, dentre outros, por Leonardo DiCaprio (?!?), a arma secreta deste aqui é o elenco, encabeçado por uma magnifíca Vera Farmiga. Interessante, Vera foi indicada ao Oscar pela primeira vez este ano por sua atuação em Amor sem Escalas, mas é em A Orfã, apesar do material menos “nobre” e mais ordinário, que ela demonstra todo o seu potencial,e é de longe a melhor coisa do filme. Mas ainda não chegou o dia em que uma atriz vai ser indicada por um filme como este, apesar desta tenebrosa Era Sandra Bullock, onde tudo pode acontecer.

Colocando ótimos atores infantis em situações sórdidas, A Orfã quase ultrapassa o limite do quadrado, um feito que seria digno de nota,ainda mais num campo tão fechado e conservador como o do terror que sai dos estúdios americanos.

Tópicos como xenofobia e pedofilia estão presentes, e algumas cenas envolvendo a( ótima) atriz Isabela Fuhrman são fortes, mas o filme nunca chega lá. Esther é fogo na roupa, toca o terror com a sua família adotiva e ainda ensina aos coleguinhas de escola que quem não sabe brincar não deveria descer pro parquinho (literalmente), mas no fim descobrimos que ela está mesmo num filme comum, que segue o itinerário ordinário e já batido dos filmes de horror mainstream. Isto fica corroborado no último diálogo entre Esther e sua azarada mãe adotiva, que simplesmente copia/homenageia filmescomo o já citado Anjo Malvado e, pasmem, O Chamado 2, mas não tem efeito nenhum e é totalmente incoerente com o resto do filme.

Enfim, ficamos com o talento dos atores e a ótima fotografia. Coitada das criacinhas do Leste Europeu. Suspeitamos que o número de adoções por americanos caiu muito depois deste filme.

Psiu: Reparem como os produtos da Apple, como iPhone o Macbook, tem mais relevância na história do que personagens como a avó de Esther

Orphan, de Jaume Collet-Serra (2009).

Disponível em Dvd&Blu-Ray pela Warner Brasil.

O Pagamento Final *****

agosto 19, 2009

carlitos-way

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Vivendo no Limite ****

junho 13, 2009

Nicolas Cage em Vivendo no Limite

Na cidade que nunca dorme

Nicolas Cage, meu astro do cinemão preferido, faz mais um personagem altamente perturbado, seus olhos esbugalhados caem como uma luva aqui. As comparações com Taxi Driver- Motorista de Táxi são inevitáveis, e ouso dizer que Vivendo no Limite é ainda melhor, mais humano, mais inspirado, mais sinistro e espiritual – ou melhor dizendo, fantasmagórico. São características que não seriam necessariamente suficientes para tornar o filme melhor, mas que me atraem mais.

Tio Scorsa e seu diretor de fotografia mágico, Robert Richardson (que vai por céu porque também fez Kill Bill) realizam um trabalho impressionante, que dá vontade de esquecer as pretensões de fazer um filme um dia. A trilha sonora (com direito a What’s the Frequency, Kenneth?, do R.E.M.) pontua as loucuras na rua de Nova York, num clima desesperador e ao mesmo dormente, cheio de miséria humana para dar e vender, o que deixa o protagonista e o espectador entorpecidos.

Em meio ao delírio, a ótima personagem da Patricia Arquette, então casada com Cage. Os dois tem química e formam um ótima par, mas isso aqui não é uma comédia romântica, e ela é uma ex-viciada em drogas, que acha em Cage alguém tão ou mais desesperado como uma muleta, um apoio em meio ao inferno. E o acabado personagem de Cage tem em seus olhos inacreditáveis uma conexão com o espectador perplexo diante deste mundo cão. Dentre os que eu já assisti, o meu Scorsese favorito, junto aos maravilhosos A Época da Inocência e Cabo do Medo – yeah, anos 1990 são o meu negócio.

Bringing Out the Dead, de Martin Scorsese (1999).

Disponível em Dvd pela Buena Vista

Nick & Norah – Uma Noite de Amor e Música ***

junho 13, 2009

Vence pela simpatia

Nick & Norah para abrir o novo blog. Filme tão irregular quanto simpático, este Uma Noite de Amor e Música seria um candidato mais que perfeito para as Sessões da Tarde de 2016, se não fosse uma rápida, singela e originalíssima cena de sexo entre os protagonistas, um dos pontos altos deste filme que tenta ter um diferencial em relação aos quilos de carne de vaca que vem sendo produzidos para os adolescentes espirituosos a cada ano. Não consegue, mas pelo menos não é tão afetado como Juno.

Falando nesse filme, o protagonista aqui também é o Michael Cera, que prova que os nerds dominaram mesmo o mundo. Kat Dennings, a filha histérica da Catherine Keener em O Virgem de 40 Anos, é a cara metade do protagonista. Cada um deles tenta esquecer seus respectivos ex-namorados (um mais canalha que o outro, ponto fraco do roteiro, soa maniqueísta demais) em uma aventura meio mecânica pela madrugada de Nova York.

É um sonho adolescente isto aqui, com bandas legais tocando em cada esquina, barzinhos e casas de shows à vontade, gasolina que não acaba mais e, o melhor de tudo, nenhum assaltante na rua – me questionei se o filme se passa mesmo na Terra, ou em alguma realidade alternativa.

Baseado em um livro (o que não é baseado em um livro hoje?), o filme não chega exatamente lá, mas é salvo pelo elenco, dos protagonistas adoráveis aos coadjuvantes legais – ei, quero ser amigo de Nick e Norah! Tem também pontas simpáticas de gente como John Cho, Jay Baruchel, Devendra Banhart e Andy Samberg. Apesar de não conhecer quase nenhuma banda da trilha, as músicas são legais, valem uma conferida.

Nick and Norah’s Infinite Playlist, de Peter Sollett (2008)Nick & Norah - Uma Noite de Amor e Música

Inédito nos cinemas brasileiros, disponível em Dvd & Blu-Ray pela Sony Pictures.

Hello world!

junho 13, 2009

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