Vivendo no Limite ****

Nicolas Cage em Vivendo no Limite

Na cidade que nunca dorme

Nicolas Cage, meu astro do cinemão preferido, faz mais um personagem altamente perturbado, seus olhos esbugalhados caem como uma luva aqui. As comparações com Taxi Driver- Motorista de Táxi são inevitáveis, e ouso dizer que Vivendo no Limite é ainda melhor, mais humano, mais inspirado, mais sinistro e espiritual – ou melhor dizendo, fantasmagórico. São características que não seriam necessariamente suficientes para tornar o filme melhor, mas que me atraem mais.

Tio Scorsa e seu diretor de fotografia mágico, Robert Richardson (que vai por céu porque também fez Kill Bill) realizam um trabalho impressionante, que dá vontade de esquecer as pretensões de fazer um filme um dia. A trilha sonora (com direito a What’s the Frequency, Kenneth?, do R.E.M.) pontua as loucuras na rua de Nova York, num clima desesperador e ao mesmo dormente, cheio de miséria humana para dar e vender, o que deixa o protagonista e o espectador entorpecidos.

Em meio ao delírio, a ótima personagem da Patricia Arquette, então casada com Cage. Os dois tem química e formam um ótima par, mas isso aqui não é uma comédia romântica, e ela é uma ex-viciada em drogas, que acha em Cage alguém tão ou mais desesperado como uma muleta, um apoio em meio ao inferno. E o acabado personagem de Cage tem em seus olhos inacreditáveis uma conexão com o espectador perplexo diante deste mundo cão. Dentre os que eu já assisti, o meu Scorsese favorito, junto aos maravilhosos A Época da Inocência e Cabo do Medo – yeah, anos 1990 são o meu negócio.

Bringing Out the Dead, de Martin Scorsese (1999).

Disponível em Dvd pela Buena Vista

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3 Respostas to “Vivendo no Limite ****”

  1. gorebahia Says:

    bom Scorcese noventão, adoro esse filme, mesmo sabendo que por momentos ele perde o ritmo devido à própria fonte literária que simplesmente segue o dia-a-dia (ou noite-a-noite nesse caso) do insomniac personagem de Cage. A trilha é bem o que tocava no rádio na época, e ele tem um clima desesperador que a direção de arte e a fotografia colaboram muito. É de um realismo cru ao mesmo tempo que é surreal… gosto do enfermeiro malucão que quer dar porrada no mendigo e quebrar carros! hahahaha

  2. Leandro Afonso Guimarães Says:

    o final é dos melhores de scorsese – claro que com toque de schrader.
    só acho que as melhores características dele já estavam nos melhores de scorsese, que conseguiu “personificar” mais os filmes do óbvio trio de ferro – 76, 80 e 90 – e até ‘caminhos perigosos’, mesmo que ele possa ser visto como um ensaio para ‘bons companheiros’. na comparação com 76, acho ‘vivendo no limite’, pra diferenciar, é bem mais “comportadinho” – o que a princípio não é bom nem ruim, bom dizer…

  3. Georgina Says:

    The bitch is back.

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