A Orfã **

A Pequena Russa

Sinopse: Pianista alcoólatra, ainda abalada depois de um aborto durante a sua terceira gravidez, decide adotar uma garotinha russa precoce e excêntrica, Esther. Mas logo eventos sinistros comçam a ameaçar a família inteira, já que Esther esconde um segredo terrível.

Subgênero dos mais divertidos, o filme de criacinha psicopata ganha aqui um exemplar classe A (em relação ao elenco e valores de produção), mas B até o dedinho do pé. Curiosamente, os roteiristas deste Orphan comportam-se como se A Tara Maldta (The Bad Seed, 1956) e O Anjo Malvado (The Good Son, 1993), dois bons filmes, não existissem. Nem a absurda (e interessantíssima, sejamos justos) revelação final sopra um ar realmente fresco ao gênero, que não passa de um remake misto dos filmes estrelados por Patty McCormack e Macaulay Culkin.

Produzido, dentre outros, por Leonardo DiCaprio (?!?), a arma secreta deste aqui é o elenco, encabeçado por uma magnifíca Vera Farmiga. Interessante, Vera foi indicada ao Oscar pela primeira vez este ano por sua atuação em Amor sem Escalas, mas é em A Orfã, apesar do material menos “nobre” e mais ordinário, que ela demonstra todo o seu potencial,e é de longe a melhor coisa do filme. Mas ainda não chegou o dia em que uma atriz vai ser indicada por um filme como este, apesar desta tenebrosa Era Sandra Bullock, onde tudo pode acontecer.

Colocando ótimos atores infantis em situações sórdidas, A Orfã quase ultrapassa o limite do quadrado, um feito que seria digno de nota,ainda mais num campo tão fechado e conservador como o do terror que sai dos estúdios americanos.

Tópicos como xenofobia e pedofilia estão presentes, e algumas cenas envolvendo a( ótima) atriz Isabela Fuhrman são fortes, mas o filme nunca chega lá. Esther é fogo na roupa, toca o terror com a sua família adotiva e ainda ensina aos coleguinhas de escola que quem não sabe brincar não deveria descer pro parquinho (literalmente), mas no fim descobrimos que ela está mesmo num filme comum, que segue o itinerário ordinário e já batido dos filmes de horror mainstream. Isto fica corroborado no último diálogo entre Esther e sua azarada mãe adotiva, que simplesmente copia/homenageia filmescomo o já citado Anjo Malvado e, pasmem, O Chamado 2, mas não tem efeito nenhum e é totalmente incoerente com o resto do filme.

Enfim, ficamos com o talento dos atores e a ótima fotografia. Coitada das criacinhas do Leste Europeu. Suspeitamos que o número de adoções por americanos caiu muito depois deste filme.

Psiu: Reparem como os produtos da Apple, como iPhone o Macbook, tem mais relevância na história do que personagens como a avó de Esther

Orphan, de Jaume Collet-Serra (2009).

Disponível em Dvd&Blu-Ray pela Warner Brasil.

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Uma resposta to “A Orfã **”

  1. gorebahia Says:

    Leo DiCaprio, essa foi nova pra mim. Mas ele soube investir bem o dinheiro.
    O Amor Sem Escalas eu gostei, um pouco longo no final mas a idéia do filme é muito boa pra quem precisa de algumas doses de ralidade.
    Inclusive muita gente deve ter ido ao cinema esperando uma aguinha com açúcar qualquer e deve ter saído de cara fechada, por isso mesmo continuo achando o Jason Reitman um dos melhores da atualidade.
    Ele segue, mesmo que disfarçadamente, uma linha Antonin Artaud de fazer as coisas. Tá usando o cinema pra ensinar pra essa geraçãozinha ralé o que eles tão precisando ver.

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